28 de maio de 2026

Assembleia de greve debate avaliação de desempenho e mantém paralisação

Por: Danielle Castro

A assembleia de greve dos técnico-administrativos em educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), realizada nesta quarta-feira (27), no auditório da Reitoria, reafirmou a continuidade da mobilização da categoria, que já soma 94 dias de paralisação. O encontro reuniu informes, análise de conjuntura, debate sobre avaliação de desempenho e deliberações estratégicas para o próximo período.

Informes e mobilização

Entre os informes, foi destacado o ato previsto para a tarde desta quarta-feira, a partir das 15h, em frente ao Midway, em defesa do fim da escala 6×1. As intervenções reforçaram a importância estratégica da mobilização, apontando que o avanço dessa pauta fortalece a luta pela jornada de 30 horas semanais para os TAEs.

Também foi apresentada atualização sobre a negociação com o Ministério da Educação (MEC). Os pontos debatidos e aprovados na assembleia anterior já foram encaminhados à FASUBRA, que, por sua vez, enviou ofício ao MEC manifestando concordância com parte da proposta, condicionando o avanço à publicação do decreto do RSC e à definição de cronograma para os grupos de trabalho. A federação mantém a orientação de continuidade da greve.

Foi informado, ainda, que no dia 28 de maio ocorrerá Reunião Extraordinária da Mesa Setorial de Negociação Permanente no âmbito do MEC, com pauta voltada à saúde dos servidores da educação nas IFES. Já a 2ª Reunião Ordinária da Mesa está agendada para 30 de junho de 2026, das 10h às 12h, em formato presencial, com pauta que inclui informes, apresentação dos grupos de trabalho, além de debates sobre democratização nas IFES, saúde do trabalhador e formação e reconhecimento da pós-graduação dos servidores.

Análise de conjuntura

Na análise política, prevaleceu a avaliação de que não há condições para encerrar a greve neste momento. As falas destacaram os prejuízos aos aposentados, que permanecem excluídos de pontos centrais das negociações, como o RSC.

Também foi ressaltado que as greves da categoria historicamente ultrapassam 100 dias, situando o movimento atual dentro desse padrão. Houve, contudo, preocupação com a ausência do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) nas negociações, considerada um fator de entrave ao avanço das pautas. Foi reforçada, ainda, a necessidade de ampliar a adesão à greve.

Representando a CSP-Conlutas, Dário Barbosa criticou as reformas trabalhistas e defendeu a redução da jornada para 36 horas semanais em escala 4×3, apontando o fim da escala 6×1 como medida estruturante para geração de empregos.

Avaliação de desempenho no centro do debate

A assembleia dedicou parte significativa à discussão sobre a política de avaliação de desempenho. O Comando Local de Greve (CLG) instituiu uma comissão que analisou o tema e apresentou propostas à categoria.

A Diretoria do SINTEST, em conjunto com o CLG, já protocolou ofício à Reitoria solicitando a rediscussão da resolução vigente em reunião extraordinária do CONSAD/CONSEP, a ser convocada, além de outro ofício à PROGESP, requerendo a reabertura excepcional do sistema de avaliação.

Entre os principais pontos defendidos estão a concessão anual de certificado de honraria aos servidores que superarem a pontuação estabelecida, sem a exigência de cinco anos consecutivos, e a ampliação do período de avaliação para além dos últimos cinco anos, considerando registros desde 2019.

A direção também orientou a categoria a intensificar a pressão sobre a gestão, por meio do envio de e-mails manifestando insatisfação com o modelo atual e da participação nas reuniões dos conselhos superiores quando o tema estiver em pauta.

Encaminhamentos aprovados

A assembleia deliberou pela continuidade da política de negociação sobre avaliação de desempenho, com autonomia para a comissão do CLG formular proposta de resolução e dialogar com a gestão, decisão aprovada com duas abstenções.

Também foi aprovada, por unanimidade, a não eleição imediata de delegados ao Comando Nacional de Greve (CNG), que ocorrerá na próxima assembleia, marcada para 3 de junho.

O ato pelo fim da escala 6×1 foi incorporado à agenda oficial da greve, com uma abstenção. Ainda foi definido que as reuniões do CLG ocorrerão às quartas-feiras à tarde, decisão aprovada com três abstenções.

Por fim, foi aprovada a realização de consulta aos TAEs da UFERSA sobre o modelo de avaliação de desempenho adotado na instituição, com vistas à possível articulação de pautas comuns.

Encerramento

Ao final, foi realizado o sorteio da rifa do ventilador em apoio à chapa de oposição ao SINTE-RN, organizada pela Corrente Proletária e pela ART (Aliança Revolucionária dos Trabalhadores). O vencedor, Adauto Sabino, optou por doar o prêmio para a realização de uma nova rifa em benefício da mesma iniciativa.

A assembleia foi transmitida ao vivo e permanece disponível no canal do sindicato no YouTube.

Fotos: