7 de maio de 2026

Assembleia de greve do SINTEST-RN discute a força do movimento e aprova encaminhamentos estratégicos

Por: Danielle Castro

Em assembleia realizada nesta quarta-feira (6), no auditório da Reitoria, a categoria avaliou o cenário da greve nacional dos técnico-administrativos, que na UFRN já soma 73 dias, e deliberou encaminhamentos estratégicos para o movimento.

Nos informes iniciais, foi ressaltada a importância do ato do Dia do Trabalhador, que aconteceu no último sábado e, mesmo sob chuva, reuniu um número expressivo de manifestantes. Foi destacado ainda um ato ocorrido no canteiro de obras da UFRN, hoje cedo, que tratou de denúncias de desvio de função envolvendo motoristas e terceirizados. Após diálogo com o engenheiro responsável, houve encaminhamento consensual. Também foi reiterada a denúncia de substituição de servidores em greve por bolsistas de apoio técnico, tema já discutido com a PROGESP e cuja prática foi formalmente vedada pela própria Pró-Reitoria.

Na avaliação de conjuntura, prevaleceu o diagnóstico de baixa mobilização e muitos defenderam a intensificação das ações, com propostas de maior radicalização, visitas setoriais, incluindo os hospitais universitários, bem como a ampliação do diálogo com estudantes. Também houve críticas à baixa participação dos TAEs nas assembleias, de forma que para a greve precisa de mais visibilidade no sentido de “fazer a universidade parar”.

Houve questionamentos à condução do movimento, especialmente quanto à realização de assembleias em espaços fechados, com a defesa de que a greve precisa ocupar os espaços públicos e ampliar sua presença para alcançar maior impacto.

O debate evidenciou divergências internas sobre a condução política do movimento, com críticas à direção do sindicato, que respondeu às acusações afirmando que as decisões são deliberadas pelo comando local de greve.

Na eleição de delegados para o comando nacional de greve, em Brasília, houve duas propostas. A primeira de se fazer chapa única, elegendo um representante de cada coletivo; e a segunda de manter a inscrição de múltiplas chapas. Foi aprovada a proposta de chapa única, com 100 votos favoráveis, contra 73 votos contrários e seis abstenções.

Entre os encaminhamentos, foi proposta a manutenção dos atuais delegados em Brasília, diante da limitação financeira do fundo de greve, que caiu de mais de R$ 400 mil para cerca de R$ 120 mil. A mesa ponderou, no entanto, que é necessário consultar os próprios delegados sobre a disponibilidade de permanecer na capital federal por mais 15 dias.

Nos minutos finais da assembleia, estudantes entraram no auditório e realizaram ato cobrando contratação de docentes e de intérpretes de Libras, além de melhorias na assistência estudantil, incluindo denúncias graves sobre o restaurante universitário e a falta de alimentação adequada para residentes.

O Comando Local de Greve (CLG) somou-se ao ato dos estudantes e seguiu até a Reitoria em busca de diálogo com a gestão. O reitor, Daniel Diniz, estava em São Paulo, e o vice-reitor, Henio Miranda, também não se encontrava no local. Os manifestantes foram recebidos pela pró-reitora de Gestão de Pessoas, Mirian Dantas, que afirmou não ter conhecimento das denúncias, que segundo os estudantes, são recorrentes há anos.

A Reitoria foi fechada pela segurança patrimonial, o que gerou reação do CLG, que defendeu a abertura do espaço, classificando como inadmissível o impedimento de acesso a servidores e estudantes. Diante da pressão, a pró-reitora propôs a realização de uma reunião na sala dos colegiados superiores para ouvir as demandas apresentadas, com o compromisso de encaminhar as providências e agendar um novo encontro para devolutiva.

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