27 de abril de 2026

Assembleia aprova caravana a Brasília e define novos encaminhamentos da greve na UFRN

Por: Danielle Castro

Em assembleia geral realizada na manhã desta quarta-feira (1º de abril), servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em greve, avaliaram o cenário do movimento paredista e aprovaram uma série de encaminhamentos para fortalecer a mobilização.

Durante os informes, foi destacada a sanção da Lei 15.367/2026, que institui o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para os técnico-administrativos em educação. A norma, no entanto, ainda depende de regulamentação pelo Ministério da Educação (MEC). Também foi levantada a possibilidade de judicialização para corrigir a exclusão de aposentados com paridade. Outro ponto debatido foi a defesa da jornada de trabalho de 6 horas ininterruptas (30 horas semanais), para todos os TAE, sem redução da remuneração.

Também registrou a participação do sindicato na I Conferência Internacional Antifascista, realizada entre os dias 26 e 29 de março, com a presença de quatro delegados. O evento reuniu organizações, sindicatos e lideranças de diversos países para articular ações em defesa da democracia e contra o avanço da extrema direita.

No âmbito local, foi informado que o Grupo de Trabalho (GT) do RSC na UFRN iniciará suas atividades na próxima segunda-feira (6). O GT terá composição paritária, com representantes do sindicato, da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progesp) e da Comissão Interna de Supervisão (CIS), e será responsável por analisar os memoriais dos servidores que pleitearem o benefício.

Conjuntura

Apesar da adesão de 50 IFES à greve nacional, foi avaliado que o movimento ainda não alcançou a repercussão esperada junto ao governo federal. Diante disso, parte da categoria defendeu a adoção de ações mais incisivas, como piquetes e trancaços, além da intensificação da mobilização nas unidades do interior.

Caravana à Brasília

O Comando Local de Greve deliberou pela realização de uma caravana a Brasília e a assembleia referendou a decisão. A caravana será com participação de 40 servidores, incluindo representantes da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa) e os nomes dos integrantes serão definidos na reunião do CLG.

Encaminhamentos aprovados

  • Instalação de faixas em todos os setores da UFRN, internos e externos;
  • Intensificação da comunicação direta com os servidores, com visitas aos locais de trabalho para esclarecer os motivos da greve e os pontos do acordo não cumpridos;
  • Alinhamento do setor de comunicação do sindicato com a comissão e o comando local de greve;
  • Reserva do auditório da reitoria até o fim de maio, às quartas-feiras;
  • Denúncia, junto à administração da UFRN, da substituição de técnico-administrativos por bolsistas;
  • Manutenção da greve.

Também foi reforçada a convocação para o ato “Ditadura Nunca Mais”, marcado para esta quarta-feira (1º), às 16h, na Praça Pedro Velho, em Natal.

Debate e decisão sobre representação no Comando Nacional de Greve

A assembleia também analisou a situação da servidora Thazia Maia, anteriormente indicada para integrar o Comando Nacional de Greve (CNG) nas próximas duas semanas. O ponto gerou divergência, uma vez que a servidora compõe o GT RSC-UFRN na condição de representante da CIS. O grupo foi classificado pela própria assembleia como atividade essencial, cujo funcionamento não deve ser prejudicado pela paralisação.

Submetida à votação, a proposta de permanência da servidora no GT RSC foi aprovada por 34 votos favoráveis, 22 contrários e 16 abstenções. Após o resultado, Thazia Maia comunicou sua renúncia ao grupo de trabalho e confirmou que seguirá para Brasília para compor o CNG.

A assembleia reafirmou a continuidade da greve e a intensificação das ações de mobilização nos próximos dias.

Fotos: