Os técnico-administrativos em educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) aprovaram, em Assembleia Extraordinária de Greve realizada na manhã desta sexta-feira (10), no auditório da Reitoria, o encerramento do movimento paredista. A categoria decidiu retornar às atividades no dia 15 de julho, encerrando a greve com 142 dias de mobilização.
O primeiro ponto foi a apresentação dos 18 itens pendentes do Termo do Acordo de Greve de 2024. A exposição foi feita por Viktor Gruska, representante da Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC/FASUBRA), que detalhou quais compromissos foram cumpridos integralmente, quais tiveram cumprimento parcial e quais ainda permanecem pendentes.
Avaliação de conjuntura
Durante o debate, diferentes avaliações foram apresentadas sobre o momento político, a condução das negociações e o futuro da greve.
Parte das intervenções destacou que o único documento existente até o momento é a ata da reunião entre o MEC e a FASUBRA, sem a formalização de um novo termo de acordo. Os participantes que defenderam essa posição alertaram para o risco de a categoria encerrar a greve antes da assinatura de um documento oficial, lembrando que compromissos assumidos após a greve de 2024 não foram integralmente cumpridos. Também foi questionada a pressão para o retorno ao trabalho sem garantias concretas por parte do Governo Federal.
Outro grupo avaliou que a mobilização havia alcançado avanços importantes e que o cenário já não favorecia a continuidade da paralisação. Entre os argumentos apresentados estavam o cumprimento parcial de mais da metade dos 18 pontos pendentes do acordo anterior, o desgaste natural do movimento ao longo dos meses, a redução da participação nas atividades de greve e as dificuldades impostas pelo calendário eleitoral para a continuidade das negociações. Também foi ressaltado que a compensação das atividades represadas já estava prevista nas tratativas com o governo.
As discussões também abordaram os desafios que permanecerão na agenda da categoria após o encerramento da greve. Servidores defenderam que a organização da campanha salarial de 2027 deve começar desde já, reforçando a necessidade de ampliar a luta pela implementação da jornada de 30 horas para todos os TAEs.
Também foi lembrado que, dos 18 itens pendentes do Termo de Acordo de Greve de 2024, a FASUBRA definiu cinco pontos como prioritários nas negociações mais recentes e que esses temas receberam retorno do MEC.
Servidores relatam insegurança e adoecimento
Um dos momentos mais marcantes da assembleia foi o relato emocionado de uma servidora, que expressou a insegurança da categoria diante das incertezas sobre a reposição das atividades, o cumprimento dos compromissos assumidos pelo governo e o acesso ao RSC. O desabafo foi apontado por participantes como reflexo do sentimento de muitos técnico-administrativos, evidenciando o adoecimento da categoria, a sobrecarga de trabalho e a necessidade de fortalecer as políticas de valorização e saúde do trabalhador.
Votação
Após amplo debate e posicionamentos divergentes, surgiram duas propostas que foram encaminhadas para votação. A primeira defendeu o retorno ao trabalho já na próxima segunda-feira (13) e a segunda defendeu o retorno às atividades para o dia 15 de julho. Na votação final, a categoria aprovou o retorno ao trabalho no dia 15 de julho, com 78 votos favoráveis. A proposta de retorno no dia 13 recebeu 25 votos, além de duas abstenções acompanhadas de declaração de voto.
Greve deixa legado de conquistas
Com mais de quatro meses de mobilização, a greve dos técnico-administrativos garantiu avanços considerados históricos para a carreira. Entre eles estão a regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), a aceleração da progressão por capacitação para aposentados, a instalação de Grupos de Trabalho com prazos determinados para discutir temas estruturantes da carreira, além da abertura de negociações sobre jornada de 30 horas, democratização das instituições federais de ensino, saúde do trabalhador, revisão de atribuições e racionalização dos cargos.
Importante ressaltar a sinalização do MEC para que a compensação das atividades represadas ocorra por meio de plano de trabalho construído entre as instituições e as entidades sindicais.
A direção do SINTEST/RN destacou que o encerramento da greve não representa o fim da mobilização. O sindicato continuará acompanhando a implementação de todos os compromissos assumidos pelo Governo Federal, fiscalizando o cumprimento das propostas apresentadas pelo MEC e defendendo os direitos dos técnico-administrativos da UFRN.
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